Modinha do exílio
Os moinhos têm palmeiras
Onde canta o sabiá.
Não são artes feiticeiras!
Por toda parte onde eu vá,
Mar e terras estrangeiras,
Posso ver mesmo as palmeiras
Em que ele cantando está.
Meu sabiá das palmeiras
Canta aqui melhor que lá.
Mas, em terras estrangeiras,
E por tristezas de cá,
Só à noite e às sextas-feiras.
Nada mais simples não há!
Canta modas brasileiras.
Canta – e que pena me dá!
Ribeiro Couto
Pode-se afirmar sobre o poema de Ribeiro Couto que
a) canta modas brasileiras só à noite e às sextas-feiras, porque as artes feiticeiras são praticadas pelo eu
lírico em seu exílio.
b) tem como objetivo expressar a depressão do eu lírico em terra estrangeira, mas também capta os
sentimentos do poeta durante o seu exílio.
c) tem como referência original o tema e a métrica da “Canção do exílio”, mas reelabora as referências
românticas com a linguagem modernista.
d) tem a finalidade de descrever detalhadamente os moinhos com palmeiras onde canta o sabiá, conforme
pregava o Realismo.
e) expressa a simplicidade da linguagem do eu lírico, que prefere cantar modinhas brasileiras no exílio a
retornar ao Brasil.