Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas
casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não
diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns
italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os
ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a
retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em
geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as
palavras Superfino de Londres saltam aos olhos:
algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas,
acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se
obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas
lojas do Brasil.
Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil.
São Paulo, Edusp, 1990, p. 230
(publicado originalmente em 1824). Adaptado.
Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se
à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito
em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações
mostram alguns efeitos
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da
Inglaterra o controle militar e comercial dos mares
do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias
ultramarinas do sul.
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a
troca regular de produtos portugueses por
mercadorias de outros países europeus, que seriam
também distribuídas nas colônias.
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas,
decretada por D. João em 1808, após a chegada da
família real portuguesa à América.
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que
deu início à exportação de produtos do Brasil para a
Inglaterra e eliminou a concorrência hispano-americana.
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do
Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico,
após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em
1815.